Floresta fragmentada aprisiona até 20% menos gases-estufa

Estudo fez o primeiro cálculo do impacto da divisão da mata no combate ao aquecimento

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O prejuízo da fragmentação das florestas para o armazenamento de carbono, que atenua o aquecimento global, foi medido pela primeira vez por pesquisadores da USP e Unesp em um estudo com colegas da Alemanha, do Canadá, dos EUA, da Itália e da Nova Zelândia, publicado ontem pela revista científica “Nature Communications”.

A divisão de florestas em pedaços menores resulta em 9% a 20% de CO2 que deixa de ser aprisionado pela vegetação além dos desmatamentos, segundo Milton Ribeiro, do Laboratório de Ecologia Espacial e Conservação da Unesp de Rio Claro.

Cientistas que estudam o aquecimento global já consideravam que essa fragmentação levaria à perda parcial da capacidade de sequestro de carbono pelas matas, segundo o físico Paulo Artaxo, da USP, membro do IPCC (painel do clima da ONU), que não participou da pesquisa.

Isso era previsível devido à maior exposição das bordas das florestas a ventos, incidência solar e aumentos de temperaturas. “Realmente essa perda de carbono não é contabilizada pela falta de estimavas confiáveis e, nesse aspecto, o artigo é inovador”, disse Artaxo.

“A mortalidade das árvores em condições de borda aumenta, de maneira que essas áreas não armazenam tanto carbono quanto as regiões mais centrais”, disse o coordenador do estudo, Sandro Pütz, do Centro Helmholz de Pesquisa Ambiental, de Leipzig, na Alemanha.

A pesquisa se baseou em análises de imagens de satélite para verificar a distribuição espacial de florestas tropicais e os impactos dos trechos fragmentados no armazenamento de carbono.

Os pesquisadores se concentraram em dados da mata atlântica, que é muito fragmentada, e da Amazônia.

O desmatamento correspondeu a cerca de 8% das emissões de carbono de 2004 a 2013, segundo o Projeto Carbono Global.

As maiores fonte de poluição continuam a ser a queima de combustíveis fósseis e a indústria de cimento.

(Fonte: Folha de S. Paulo).

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