Carbono Neutro e o Turismo de Base Comunitária: Conexão e Desenvolvimento

O Turismo de Base Comunitária (TBC) em Unidades de Conservação (UC) é um meio de estimular a conexão entre os visitantes e as comunidades tradicionais da Amazônia. Além de beneficiar as famílias diretamente envolvidas em atividades de turismo, como: pesca esportiva, pousadas comunitárias, gastronomia local e afins, tal atividade gera inúmeros benefícios indiretos, com a realização de atividades de apoio nas trilhas, nas atividades culturais, nos artesanatos, entre outras.

O apoio à implementação do TBC na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã tem sido uma iniciativa independente do Programa Carbono Neutro Idesam (PCN). Em paralelo às atividades de plantio, o programa tem atuado na busca por parceiros que acreditam e colaboram com a promoção da atividade.

“O turismo é fundamental para aumentar a circulação de recursos entre as comunidades da UC, melhorando a qualidade de vida dessas famílias. É o mesmo objetivo do PCN e acreditamos na importância de somar esforços nesse sentido”, destaca Flávio Cremonesi, gerente do PCN.

Para destacar ainda mais essa conexão entre Carbono Neutro e o TBC, listamos abaixo quatro aspectos do PCN incluídos nos roteiros de turismo do Uatumã. Que tal conhecê-los de perto?

1 – Visitas às áreas de plantio (Sistemas Agroflorestais)

Estudantes dos cursos ambientais da UFPR visitam SAFs do Uatumã, em 2014, para conhecer as boas práticas do Programa Carbono Neutro (Foto: Rogério Lima).

Durante a visita, o turista pode conhecer um (ou vários) dos 21 SAFs já executados. Eles estão em diferentes estágios de desenvolvimento, enquanto os mais antigos já tem 6 anos e árvores com mais de 10 m de altura, os mais novos estão em fase final de plantio.

A atividade, com caráter educativo, serve para mostrar ao turista a perspectiva do comunitário, além de evidenciar o impacto positivo que o PCN alcança com os plantios. Eles podem aprender, na prática, noções sobre a implementação do sistema, além de seus benefícios sociais, ambientais e econômicos.

E não podemos esquecer que o turista pode optar por neutralizar as emissões de carbono e fazer um plantio simbólico(1) nas áreas de SAF.

 

2 – Circuitos extrativistas

A repórter do Nova Amazônia, da TV Brasil, Barbarah Veiga, encarou a trilha da copaíba e registrou o trabalho do extrativista Aldemir Queiroz.

Os sistemas agroflorestais compreendem diferentes espécies e categorias de árvores. Entre elas estão espécies dos chamados ‘produtos extrativistas não madeireiros’, sendo: castanha-do-Brasil, pau-rosa, copaíba, seringueira, entre outras.

De grande importância para as comunidades (seja por interesse econômico, alimentar ou medicinal), elas são manejadas a partir de práticas sustentáveis. Com isso, o turista tem a possibilidade de conhecer o extrativismo e participar dele.

“Por enquanto, as atividades de extração podem ser feitas apenas nos trechos de floresta nativa, pois os SAFs ainda são jovens; mas em breve estarão disponíveis nas áreas recuperadas, dada a diversidade das espécies disponíveis”, explica Cremonesi.

 

3 – Trilhas

A economista Aline Medeiros, acompanhada pela moradora Iraci Cleide Monteiro, em trilha utilizada pelos comunitários para o manejo florestal familiar.

Percebeu um ponto em comum das duas atividades anteriores? Ainda não? O turista que deseja conhecer mais sobre o PCN na reserva deve estar preparado para boas caminhadas. Além de uma atividade educativa, as trilhas estão na categoria aventura leve disponíveis nos roteiros da RDS do Uatumã.

As caminhadas são uma ótima maneira de conhecer melhor a flora e a fauna locais e reforçar esse contato com os comunitários, que compartilham, durante as atividades suas experiências, histórias e ‘causos amazônicos’. Ao final, o visitante sempre pode esperar uma surpresa!

 

4 – Gastronomia local e orgânica

Visitantes conhecem os sabores locais durante café da manhã promovido por comunitários da comunidade do Caribi, na RDS.

Vivenciar o dia a dia dos comunitários é fundamental na experiência no TBC.

Assim, se uma das propostas do PCN é promover a segurança alimentar das comunidades, com alimentação variada e produzida de forma agroecológica (sem a utilização de agrotóxicos), esse benefício é vivenciado também por quem vem de fora.

Os costumes amazônicos são demonstrados através das refeições, com produtos locais e provenientes das plantações (SAFs) dos próprios comunitários. “Os alimentos regionais fizeram com que eu percebesse como é importante a preservação dos hábitos tradicionais dessas populações”, aponta a engenheira florestal Isabele Goulart, da equipe do Idesam, que conheceu a reserva pela primeira vez em fevereiro deste ano.

 

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1 – Os plantios oficiais do Programa Carbono Neutro são realizados mediante o cálculo de emissões (via calculadora online ou inventário de emissões) e ocorrem com acompanhamento técnico de especialistas, sempre entre os meses de janeiro e abril.

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