Emissões de carbono do Brasil avançam 7,8% em 2013

A contribuição do país para o aquecimento global avançou 7,8% em 2013. É o primeiro aumento na poluição do carbono desde 2005.

desmatamento

A maior responsabilidade no mau resultado cabe às mudanças no uso do solo (leia-se: desmatamento). Esta rubrica registrou salto de 16,4%, como seria de esperar após a subida de 29% na destruição de florestas na Amazônia no período de agosto de 2012 a julho de 2013.

Energia e transportes também participaram com uma parcela considerável na piora do indicador. Graças sobretudo ao maior acionamento de usinas termelétricas alimentadas com combustíveis fósseis e ao consumo de gasolina e diesel, o setor teve 7,3% de incremento na produção de gases que realimentam o efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO2).

Nos três casos – desmatamento, setor elétrico e transportes -, os aumentos decorrem de políticas e medidas adotadas pelo Planalto, como o represamento artificial do preço da gasolina, um incentivo ao consumo. O avanço de 7,8% nas emissões, afinal, foi muito além do crescimento do PIB (2,3%) em 2013.

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Os dados divulgados nesta quarta-feira (19) são do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases do Efeito Estufa (Seeg), mantido pelo Observatório do Clima. Quatro ONGs participaram do relatório: Imazon (uso do solo), Imaflora (agropecuária), Iema (energia e indústria) e Iclei (resíduos).

As emissões brasileiras caíam desde 2005 graças à redução acelerada das taxas de desmatamento na Amazônia.

Em 2004 haviam sido derrubados 27,8 mil km² de matas. Em 2012 a destruição já tinha encolhido para 4,6 mil km², uma queda de de 83,5%. No ano seguinte, contudo, a devastação foi a 5,9 mil km² (aumento de 29% sobre o período anterior).

Foi, mesmo assim, a segunda menor taxa já registrada pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), responsável pelo sistema oficial de monitoramento por satélite (Prodes). E, com referência ao recorde de 2004, a redução ainda é considerável, de 79%.

Os dados preliminares do Prodes para o intervalo agosto de 2013/julho de 2014 devem ser divulgados pelo governo federal neste mês ou no próximo. A presidente Dilma Rousseff antecipou durante a campanha eleitoral, em 19 de outubro, que haveria nova redução, mas nunca informou os números.

Há fortes indícios de que o desmatamento voltou a crescer no novo período iniciado em agosto de 2014. O governo parou de publicar os dados do seu sistema de alertas mensais (Deter), o que agora só fará trimestralmente.

Relatório do Inpe obtido pela reportagem, no entanto, apontou que foram devastados 1.626 km² de florestas em agosto e setembro. Ou seja, um crescimento de 122% sobre os mesmos meses de 2013.

Programa similar ao Deter operado pelo Imazon, o SAD, também indicou aumentos nos últimos três meses (agosto, setembro e outubro).

A boa notícia é que o combate ao desmatamento não depende mais só de Brasília. No Pará, que já conta com o bem-sucedido programa Municípios Verdes, o governo estadual está lançando a Lista de Desmatamentos Ilegais: 1.131 km² (347 áreas individuais) de propriedades e posses que agora constam de um banco de dados para consulta pública na internet.

A ideia é permitir que bancos e outras empresas possam identificar proprietários em dívida com as autoridades ambientais antes de fechar negócios com eles.

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