Inventário de emissão de CO2 e carboneutralização de eventos

A mensuração do consumo de cada uma das atividades desenvolvidas durante o planejamento, estruturação, realização e desmobilização de eventos serve para a elaboração de um inventário de emissão de CO2. Representa ação capaz de contribuir com a minimização do Efeito Estufa. Porém, nem sempre as ações indicadas como mitigadoras do CO2 emitido nos eventos são colocadas em prática, porque dependem de políticas institucionais, de tomadas de decisão estratégicas.

A elaboração de um inventário de emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) devido à realização de atividades produtivas (públicas e privadas) e posteriores ações de mitigação pode contribuir para a redução do Efeito Estufa.

Fenômeno natural que mantém a Terra aquecida, o Efeito Estufa é agravado com o aumento das atividades produtivas e privadas das sociedades, nem sempre combinadas a processos sustentáveis, o que ocasiona emissão de GEE para a atmosfera e desequilibra o processo natural do efeito estufa regulador da temperatura do planeta. Esse agravamento provoca o aquecimento global, considerado a mais complexa alteração no sistema terrestre (CRISTÓVÃO, 2009).

O Efeito Estufa funciona a partir da radiação solar que atravessa a atmosfera, aquecendo a superfície terrestre. Parte dessa radiação é refletida de volta para o espaço. Os Gases de Efeito Estufa – GEE (Dióxido de Carbono (CO2), Metano (CH4), Óxido Nitroso (N2O), Vapor d’água (H2O) e outros) – presentes na atmosfera, absorvem parte dessa radiação e acabam por aquecer o planeta.

A Figura 1 mostra como funciona o mecanismo do efeito estufa.

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Figura 1 – Efeito Estufa. Fonte: http://videoseducacionais.cptec.inpe.br/

 

De acordo com Cristóvão (2009), “geralmente só se ouve falar no dióxido de carbono (CO2), pois, devido à sua importância para o efeito estufa, acabou sendo adotado como referência para simplificar o discurso e facilitar o cálculo de emissões” (p. 16). Assim, desenvolveu-se o conceito de “Carbono equivalente” (CO2e), que corresponde a uma quantidade de gás capaz de produzir o mesmo calor de uma tonelada de dióxido de carbono (CO2). Os outros gases de efeito estufa (CH4, N2O e outros), cada um com seu próprio potencial de aquecimento, são mensurados e convertidos em carbono equivalente. O potencial de aquecimento do Metano, por exemplo, é aproximadamente vinte e uma (21) vezes superior ao do Dióxido de Carbono; e o do Óxido Nitroso é aproximadamente trezentas e dez (310) vezes maior do que o do CO2 (CRISTÓVÃO, 2009).

O desequilíbrio no efeito estufa, como resultado da ação desses, provoca alterações nos mecanismos naturais do planeta e influencia a sobrevivência do homem. De acordo com a Figura 1, o aumento da concentração de CO2 na atmosfera aumenta o efeito estufa, tornando a Terra mais quente.

Para identificar quais as fontes de emissão de GEE das atividades produtivas de uma instituição e dos eventos organizados pela mesma faz-se necessário inventariar, quantificar os consumos dessas atividades e eventos; somente assim é possível mensurar as emissões dos GEE, através da utilização de fatores de emissão de GEE para cálculo de emissões de CO2e. O Guia para Elaboração de Inventários Corporativos de emissões de Gases do Efeito Estufa (http://www.empresaspeloclima.com.br/cms/arquivos/cartilha_ghg_online.pdf), do Programa Brasileiro GHG Protocol, dá a seguinte orientação: “a elaboração de inventário é o primeiro passo para que a instituição ou empresa possa contribuir para o controle ao aquecimento global, fenômeno crítico que aflige a humanidade neste início de século. Conhecendo o perfil de emissões, a partir do diagnóstico do inventário, qualquer organização pode dar o passo seguinte, de estabelecer planos e metas para redução e gestão das emissões de gases de efeito estufa, engajando-se na solução desse enorme desafio que atinge o planeta” (FGV-GVces, 2009, p. 3).

Nesse sentido, ao inventariar o consumo dos recursos empregados nas atividades durante a realização de um evento institucional, como o consumo de energia elétrica, água, combustíveis, papel, papelão, madeira, plástico, mesmo que parcialmente, porque há atividades de difícil mensuração, a instituição cria as condições necessárias para o desenvolvimento de metodologia capaz de mensurar as emissões de GEE, particularmente o CO2, originadas pelas atividades desenvolvidas durante os seus eventos. Essas quantidades inventariadas servirão de base para revelar a quantidade de dióxido de carbono emitido, após os cálculos feitos com os fatores de emissão específicos para cada tipo de material descartado na Natureza.

No entanto, com o objetivo de avançar tanto na precisão da coleta de dados quanto na abrangência das atividades inseridas nos inventários de emissões de CO2 em eventos institucionais, a cultura organizacional de responsabilidade socioambiental deve ser consolidada através de boas práticas de sustentabilidade dentro e fora da instituição. Todos os stakeholders são incentivados a adotar políticas e práticas de sustentabilidade nos seus processos produtivos.

Após os cálculos e determinação da quantidade de CO2 emitida pelo evento, a instituição elabora o inventário de emissões contendo as indicações das ações mitigadoras que, depois de executadas, deverão compensar o nível de CO2 emitido em decorrência da realização do evento.

Alguns técnicos preferem o termo neutralização de CO2 ou o termo carboneutralização. Um e outro termo são utilizados como sinônimos de correção total do passivo ambiental da instituição.

A operacionalização das atividades voltadas para a elaboração do inventário de emissões é responsabilidade de técnicos da instituição, mas a tomada de decisão para tornar realidade a consecução das medidas de mitigação como a execução de projetos sustentáveis, melhoria do paisagismo da cidade, apoio infraestrutural para associações de catadores e por último o plantio de árvores, é uma questão estratégica, sob a responsabilidade do alto escalão institucional; ou seja, realizar práticas que resultem em compensação do CO2 emitido pelos seus eventos é questão de política e não de técnica. Portanto, quando técnicos desenvolvem metodologia e executam as operações para produzir o inventário de emissão de CO2, eficientemente cumpriram as suas tarefas. Se as ações de mitigação indicadas no inventário não são executadas, os técnicos não são responsáveis por isso.

Para finalizar este artigo, convém lembrar a necessidade de prestar atenção às questões ambientais, a fim de reduzir o agravamento do efeito estufa. Porém, é preciso também ter cuidado com as propostas de carboneutralização de eventos ou neutralização de eventos, cujos custos são sempre elevados, mesmo que não atinjam os objetivos anunciados; principalmente quando as ações mitigadoras envolvem o plantio de árvores em território amazônico, porque não há pesquisa científica realizada na Amazônia que constate a eficiência de plantio como ação capaz de neutralizar o CO2 emitido por evento.

REFERÊNCIAS

CRISTÓVÃO, Stelio Golla. Cartilha do Clima: Aquecimento Global e Mudanças Climáticas. São Paulo: Incentivo Sol Soluções Solidárias, 2009. 56p.

FGV-GVces – FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS. Centro de Estudos em Sustentabilidade da EAESP. Guia para elaboração de inventário corporativos de emissões de gases do efeito estufa/realização GVces Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas; organização GVces, Ministério de Meio Ambiente, CEBDS, WBCSD, WRI; apoio Embaixada Britânica, USAID, CETESB, Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo; edição e revisão Ricardo Barreto, Juarez Campos. São Paulo: FGV, 2000.

(Fonte: D24 AM)

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