Valor dos mercados de carbono deve subir 15% em 2014

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Depois de dois anos seguidos de retração acentuada, analistas preveem que esquemas de comércio de permissões de emissão devem voltar a crescer, possivelmente chegando à marca de R$ 148 bilhões.

Aparentemente a crise nos mercados de carbono atingiu o fundo do poço em 2013, ano em que foi registrada uma queda de 38% no valor dos mercados, e agora esse tipo de mecanismo para controlar as emissões de gases do efeito retornará a crescer.


Pelo menos é nisso que acreditam os analistas da Bloomberg New Energy Finance (BNEF), uma das principais empresas que acompanham o andamento dos mercados globais de carbono.

Depois do recorde de alta em 2011, quando foram movimentados mais de € 98 bilhões (R$ 315 bilhões), o valor dos mercados caiu seguidamente por uma série de fatores, que incluem: baixa demanda por causa das fracas metas de redução de emissão dos países, recessão econômica na Europa, e falhas nas regras internas dos próprios mecanismos, que permitiram distorções e o acúmulo exagerado de créditos de carbono.

Assim, a BNEF reconhece que o principal fator por trás do otimismo para 2014 é a aprovação da retenção (backloading) de 900 milhões de créditos de carbono no Esquema Europeu de Comércio de Emissões (EU ETS), medida que fará diminuir a oferta nos próximos anos – os créditos deverão retornar ao mercado até o fim da década.

Como resultado da retenção, a BNEF estima que os preços do carbono no EU ETS subirão mais de 50%, chegando a uma média de € 7,5 por tonelada. Com esse incremento, os analistas acreditam que o valor dos mercados globais de carbono aumente 15% em 2014, para € 46 bilhões (R$ 148 bilhões).

“Os mercados globais de carbono sofreram nos últimos anos, devido principalmente à queda de preços motivada pela recessão europeia e pelos esforços do novo governo australiano para acabar com o esquema de comércio de carbono no país”, declarou Konrad Hanschmidt, líder da equipe de analistas de carbono da BNEF.

“Mas novos programas estão emergindo na China e na Coreia do Sul, e os legisladores europeus estão adotando passos claros para garantir que os preços subam e as emissões caiam”, completou.

Entre esses novos mercados citados por Hanschmidt estão os cinco chineses, sendo que outros dois devem ser lançados em 2014. Apenas uma dessas iniciativas, a da província de Guangdong, é grande o suficiente, cobrindo 202 das maiores empresas da região, para ser considerada o segundo maior mercado de carbono do planeta, atrás apenas do EU ETS.

“Os mercados de carbono atravessaram uma montanha-russa nos últimos anos, e o caminho à frente ainda será complicado. Mas, graças ao ‘backloading’ no EU ETS, estamos em uma rota ascendente, com o valor dos mercados podendo chegar a € 180 bilhões em 2016”, explicou Guy Turner, economista chefe da BNEF.

Porém, Turner alerta que a intervenção dos legisladores no EU ETS pode ter um efeito negativo no que diz respeito às ações especulativas.

“Se as regras do ‘backloading’ continuarem as mesmas, veremos uma nova queda no valor dos créditos assim que as milhões de permissões retidas voltarem ao mercado. Essa volatilidade é incômoda para os que precisam cumprir metas de emissão, mas é uma tentação para especuladores que queiram se aventurar”, concluiu.

Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/noticias/noticia=736082

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