Céline Cousteau na Amazônia

celine_2Quem tem mais de 30 anos deve ser lembrar do expedicionário francês que desbravava os oceanos a cada domingo no programa Fantástico. A vida submarina foi esmiuçada e mostrada ao mundo através das lentes de Jacques Cousteau, um dos mais consagrados oceanógrafos e documentaristas de todos os tempos. Décadas depois, sua neta Céline mantém seu legado: câmera em punho, ela adentra o mar e outras biodiversidades, com o lema “Explorando o mundo, contando as histórias, conectando seres humanos ao meio ambiente”.

Em visita recente à Amazônia, Céline conheceu o Programa Carbono Neutro do Idesam; aproveitamos para bater um papo com ela. Confira:

IDESAM – Fale um pouco sobre seu projeto; o que você veio fazer na Amazônia?

Céline – O objetivo era fazer um documentário, mas me dei conta que isso não é suficiente para contar a história dos indígenas, falar sobre a saúde deles. Isso tem que ser um “movimento”. Quero começar esse movimento. O documentário vai amarrar as histórias através de vídeos e entrevistas, mas além disso, o objetivo é desenvolver projetos com pessoas daqui, sejam ONGs ou governo, para capacitar os indígenas. Para que eles tenham educação, saúde, para que possam ser seus próprios enfermeiros, médicos, professores, que eles mesmos possam filmar e ser documentaristas, fazer programas de rádio. A ideia é essa, não somente contar uma história, mas deixar algo que seja deles, prepará-los, para que eles tenham esperança. As enfermidades às quais eles estão sujeitos são horríveis. Como podem ter esperança se não tem ao menos um futuro? É isso que eu quero fazer.

IDESAM – Como você se insere nessa realidade? Por que ajudá-los?

Céline – Quando as pessoas têm capacitação sobre uma ferramenta, isso lhes dá mais poder e mais vontade de fazer. Eu sou uma facilitadora que pode ajudar a levar mais informações técnicas para dentro das aldeias e informações comportamentais para fora, sobre o que está acontecendo naquele local. Sou um ponto de ajuda, mas não quero ser uma intermediadora, quero capacitar, ser uma ferramenta, para ajudá-los a ter seu próprio movimento.

Celine Cousteau com o Coordenador do PCN Idesam Pedro Soares

Celine Cousteau com o Coordenador do PCN Idesam Pedro Soares

IDESAM – Você é uma documentarista e sempre destaca o papel do audiovisual na mobilização das pessoas para uma causa. O vídeo tem uma força maior que outras mídias?

Céline – Nós, seres humanos, somos muito visuais, reagimos melhor a imagens e vídeos. Contar a história da saúde, ou melhor, da falta de saúde dos indígenas de uma maneira visual, mexe com nossas emoções. Quando você olha os olhos de uma pessoa, mesmo que pelo vídeo, você entende sobre o que ela está falando, sobretudo os índios, que têm muito espírito, deixam transparecer o que vivem através dos olhos. Sem contar que hoje em dia somos grandes consumidores de vídeos, principalmente pela internet. Essa forma de comunicação tem muito impacto.

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