Austrália vive a polêmica da taxa de carbono

A taxa que obriga empresas a pagarem US$ 23 pela emissão de cada tonelada métrica de CO2, adotada pela primeira-ministra australiana Julia Gillard em julho deste ano, está acirrando a disputa entre partidos políticos e acabou dividindo a opinião pública do país.

Segundo o site do Instituto Carbono Brasil, a medida, que visa incentivar a busca por uma economia mais limpa, tem como um dos maiores opositores o líder do partido liberal, Tony Abbott. O político vem angariando apoio de outros partidos e de eleitores conservadores para sua candidatura ao cargo de primeiro-ministro.

“Esta medida aumentará o custo de vida das famílias, deixará os empregos mais vulneráveis e não ajudará em nada o meio ambiente”, afirmou.

Com a taxa sobre o carbono, a Austrália, que é o maior emissor de CO2 per capita do planeta e possui 75% de sua geração elétrica baseada no carvão, deve representar um corte de 160 milhões de toneladas nas emissões até 2020.

Para a coalizão “Empresas para uma Economia Limpa”, que apoia Gillard e possui 300 empresas afiliadas, a taxa é muito importante para ajudar a transição para uma economia de baixo carbono.

“Um preço para o carbono e medidas complementares ajudarão a Austrália a permanecer competitiva e vão incentivar o crescimento de setores como energia limpa, eficiência energética e tecnologias de baixo carbono”, declarou a coalizão.

Para Pedro Gandolfo Soares, um dos coordenadores do Programa Carbono Neutro Idesam, a taxa é uma ideia inovadora, que fortalece a busca por uma economia baseada em energias limpas e renováveis, mas deve-se tomar cuidado para que o custo adicional de produção não seja simplesmente repassado ao consumidor, isentando assim as indústrias e empresas de mudanças nos hábitos e busca por tecnologias mais limpas.

“Um aumento de 23% no preço dos produtos finais incorporando a taxa do carbono poderá ser extremamente prejudicial para a economia local, diminuindo o consumo e retraindo a economia”, opina Pedro, para quem a decisão correta é investir em tecnologias limpas e num planejamento de médio a longo prazo que vise o abandono de combustíveis fósseis e utilização de recursos renováveis para o desenvolvimento do país.

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